A Nova Espanha em Mim

Ando como um velho de mil anos
magro. reclamando incessantemente enquanto tiro meu chapéu úmido,
andando pelas ruas à toa como a vida
absurda roda giratória no fogo do tempo.

Peço à noite alguma razão precisa, bufão sou do lamento,
ouço as constelações de marchas triunfais em vão,
tudo é cal e osso e retiro-me para o foral do meu coração ferido.

Ontem à noite saudei a águia, tomei banho na parte mais quente do equador,
acompanhei o boi na sua odisseia de terra e mutucas,
Convoquei os aleijados e anões em Salvador da Bahia
para fazer o Petit Larousse deste continente mestiço.
(Às vezes questiono quando o amanhecer virá
e esta onda de calor vai tirar o fôlego,
medo de saber que não sei nada sobre o amanhecer).

Estou
no umbigo do mundo
no seio ereto do planeta
onde a redondeza flui um leite de nervos e sangue.

Sou a América perdida num buraco no tempo, procurando
minha própria identidade no espelho do dia
com carne nua em uma almofada viva,
e a barriga dura de seda e mar.

Se um dia envelhecer e se ainda houver velhice no planeta;
antes que as orquídeas apodreçam no solo verde
abrirei minhas rochas para as festas dos homens
aos ruídos do vento no grande silêncio sideral.

Passo a noite e a sesta de costas, sou atordoado por iguanas,
vestida de flores amarelas e me renovo sem cessar.
Todos os dias diferentes, mas sempre iguais.
(Sinto-me impotente e careca agora.
Não sei acompanhar a clareza sonora desta terra.
Perco os meus dentes e cabelos inúteis,
na bomba de cobalto do Pacífico. Levanto-me e rio,
Vou até a porta da minha casa para olhar os vizinhos.
A juventude passa e um diz “vou para Buenos Aires e quando voltar vou me destruir”)

A Nova Espanha nascia
à raiz latina ramificada, à cruz de espadas,
“Bem, Sr. Governador.
dê uma boa olhada nisso
que lá vai o colecionador
e aqui está o açougueiro”.

Poeira, suor e sangue que nem um Cid monta,
massacre de Cajamarca,
marca da caixa de abate.

 

Fragmento do livro ADAN NADA, ADAN na América Latina. Um livro de papel, afundado na lama, quase certamente perdido…
Ele personifica a América caminhando em solo espanhol como Dom Quixote em La Mancha..

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Claro Amílcar Jesús Legazcue de León nació en Pueblo Ansina ,Tacuarembó, Uruguay en 1946. Nieto de españoles obtuvo la nacionalidad por memoria histórica. Es maestro, profesor de Filosofía y Literatura Universal y autor de varios libros. Reside en Punta del Este, Uruguay.

Credo

A través de la vida vamos siendo heridos y tenemos metamorfosis, pero hay valores que nos impregnan referentes al amor, al arte y a las personas.. este credo no es exhaustivo.

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